Mentir é fazer declarações propositalmente falsas ou declarações parciais que envolvem falsas impressões ou meias verdades. Exageros propositais e ate verdades ditas com propósito de enganar são mentiras.
Nos dias atuais, é vergonhoso como se lida levianamente com a mentira. Os homens fazem pesquisas e estudos que tentam explicá-la, procurar a sua origem, mas em geral ela é considerada pelos que não conhecem a Deus como inofensiva, até mesmo uma necessidade da vida e, em última análise, como algo bom.
A mentira origina-se no diabo
A Bíblia nos mostra que a mentira é um pecado há muito revelado, que consiste em rejeitar a verdade de Deus (Rm 1.25). Ela tem sua origem em Satanás – ele é chamado "pai da mentira" (Jo 8.44-45). Assim, o pecado só entrou no mundo por meio da mentira, pois Satanás enganou os primeiros seres humanos através da mentira: "É certo que não morrereis... mas sereis como Deus" (Gn 3.4-5). O inimigo continua incitando os homens a mentir (At 5.3; 13.10). E toda a sua obra baseia-se em mentira e engano (2 Ts 2.9-11; Ap 12.9).
Devemos ter cuidado com o que dizemos, pois o Senhor Jesus diz assim: "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo" (Mt 12.36). Se você soubesse que tudo o que você diz está sendo gravado e poderá ser usado contra você num tribunal, você ainda diria tudo o que tem dito? Falaria as mesmas coisas?
Os mentirosos, portanto, fazem aquilo que é próprio de adversário e não de Deus, de forma que estes não herdarão o reino de Deus (Ap 21.15,27; 22.15).
A mentira cria uma falsa certeza, falsa segurança (Is 28.15).
Os homens pecam desde o nascimento, falando mentiras (Sl 58.3) e é muito comum as pessoas mentirem para tentar resolver as questões mais simples da vida. Por exemplo, mentem para serem aceitas em determinado grupo, ou para não terem de dar maiores explicações. Mas os fins não justificam os meios. Pedro mentiu para ter acesso, para ter conforto e para se proteger e, assim, negou Jesus três vezes (Jo 18.17-18, 25-27). E ainda hoje os homens mentem com estes mesmos propósitos e outros ainda mais banais.
O problema maior consiste quando a pessoa toma a mentira como verdade (Is 5.20; Rm 1.25).
Deus detesta a mentira (Pv 6.16-19; 12.22; Jr 23.32). Aqueles que mentem são excluídos da presença de Deus. A Bíblia diz em Salmos 101.7 “O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.” Entretanto, os que falam a verdade habitarão com Ele (Sl 15.1-4).
Somos considerados mentirosos se dizemos que somos cristãos, mas não obedecemos a Deus (1 Jo 2.4).
Se dissermos que não pecamos, também mentimos (1 Jo 1.8).
A Bíblia, tanto no AT quanto no NT diz expressamente que não devemos mentir (Ex 20.16; Lv 19.11; Cl 3.9; Ef 4.25). Somos ordenados a imitar a Deus (Ef 5.1) e Ele não mente (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Tt 1.2; Hb 6.18). Assim, o cristão deve falar sempre a verdade (Ef 4.15).
Deus é a verdade (Dt 32.4; Jr 10.10; Jo 14.6).
A Bíblia aprova a mentira feita para salvar uma vida?
As parteiras egípcias (Ex 1.15-21) disseram ao Faraó que chegavam tarde ao parto das hebréias, o que não é necessariamente mentira (Elas podiam apenas desobedecer atrasando-se deliberadamente).
Raabe mentiu para proteger os espias (Js 2.4-6). Podemos entender sua atitude dentro da situação – vidas em risco, mas nunca dizer que a Bíblia aprova ou defende sua atitude. Neste mesmo tipo de situação Abraão (Gn 12.12-19) e Davi (1 Sm 21.2) também mentiram. Raabe era uma pecadora que foi salva por sua fé e não por sua elevada moral.
No livro Introdução à Filosofia (Norman L. Geisler e Paul D. Feinberg. Cap. 27), nos traz uma boa explanação com relação à nossa postura em situações difíceis.
5. Devemos escolher o bem maior. (Significa obedecer à lei superior - conforme revelada na Palavra de Deus - sempre que há um conflito inevitável entre dois mandamentos divinos, ou mais).
“O mal menor em situações conflitantes nunca é justificável como tal; é simplesmente perdoável. O dever da pessoa é cometer o mal menor, não o maior. Deus não manda que a pessoa peque em situação de conflito, pois Deus não pode pecar nem pode mandar que outros pequem (Tg 1.13).
Podemos concluir dizendo que as Escrituras nunca aprovam os pecados cometidos por aqueles que temem a Deus, mas registra os fatos. As parteiras e Raabe, não foram elogiadas pela mentira, e sim pela fé que exerceram.
Diferente de uma mentira “branca” é não dizer toda verdade, para proteger alguém. Deus ordenou a Samuel que não dissesse o motivo real de sua viagem a Saul, quando foi ungir Davi (1 Sm 16.1). Ele não mentiu, pois foi sacrificar, mas se revelasse o outro motivo correria risco.
Pense comigo: [...]Aqueles que vivem na mentira estão presos ao engano e somente pela verdade serão libertos (Jo 8.32).
[...]Verdade é reconhecer a mentira como aquilo que ela é: um pecado que nos separa de Deus. Mas verdade também é saber que podemos confessar a Jesus a mentira e todos os nossos outros pecados e pedir perdão. Verdade também é que, então, podemos aceitar o perdão pela fé e com gratidão. Aquele que fizer isso com sinceridade e de todo o coração, receberá o perdão (1 Jo 1.7,9).
Pensamento: “Muitos amam a mentira. Poucos amam a verdade. Pois podemos amar a mentira de verdade, mas não podemos amar a verdade de mentira…” Rabi Yaacov Yitzchak de Pshischa










